Aborted

You are made of some fine art,
You’ve got the shiny side of star(t)s.
There’s a whole sun out there,
still, it’s only your smile that brights my day

I want to photograph you in this light,
Yellow-cold, long pale light.
I want to make a post card of you
and sent it to my friends.

You are the best place,
I’ve (n)ever been.

O piano e o Menino

“Três horas, ele deve estar chegando.”

Julio, professor de piano senta agora perto da janela e olha o pouco movimento e o calor da rua na metade de novembro. Seus cabelos cacheados, já de certo modo adestrados, caem pelo lado direito do seu rosto. A vista, de vários outras casas o conforta e o faz sentir como um jardineiro de bairros, casas correndo até onde a vista se perde. Olha para um lado, e depois o outro, olha de novo para a direita e depois a esquerda, procura Gabriel entre as pessoas que passam, as bicicletas que tocam sininhos e no meio dos moleques jogando bola na rua.

“Três e dez, opa, atrasou um pouco hoje.”

Gabriel não é do tipo de pessoa que se atrasa, pensa ele. Acende o cigarro, traga e bate na janela; ri da vizinha que o chamou de relaxado e mostra os dentes brancos enquanto emite sons que agradam as paredes. Com o cigarro na boca levanta do sofá, vai ao quarto, pega as partituras e senta-se sobre o piano. Bate a cinza no cinzeiro, e com a mão esquerda toca uma melodia grave, como um tom de suspense. Aos poucos vai aumentando o ritmo, diminui de novo, e o suspense se instaura na sala.

“Três e meia, que estranho, já deveria ter chego.”

A essa altura, a aula deveria estar na metade. Com os olhos fechados Julio vê a figura esguia de Gabriel sentado no banco em frente ao piano. Seus dedos compridos encostam nas teclas com um certo medo, uma atenção, como se eles pudessem machucar o piano. Ao acertar uma tecla com um pouco mais de força, ele se assusta e sorri sem graça. Julio, que assistia a prática do rapaz por de trás, inclina seu corpo sobre as costas dele e o corrige, mostrando a pressão com a qual deveria acertar as teclas. Sem jeito, o rapaz cora, e tira o corpo de debaixo o professor, levantando.

Quatro horas, que audácia! Não avisar que não iria vir.”

Impaciente, Julio levanta e vai até a janela de novo. Olha, acende outro cigarro. Vai até a cozinha e pega um café. Beberica aos poucos enquanto a fumaça lhe faz companhia. A brisa que entra pela janela aberta refresca o ambiente, que já é fresco de da brancura das paredes, da sala espaçosa, da janela sem cortina. O sofá, branco também agora guarda os sonhos de Júlio. Deitado sobre suas almofadas o sonho lhe chega e toma pela mão, levando-o de volta até a última aula, que começou no piano e terminou naquele sofá. Depois de várias notas desafinadas, pianíssimos saindo como forte, e o que era uma demonstração virou um beijo, e o sofá de espectador virou participante. E depois de alguns beijos algo aconteceu, e “opa, lembrei que tenho que ir”. E partiu. “Volta pra aula menino?”  “Sim senhor!.”

shipwreck

Still trying to make sense of all that I’ve lived

Still trying to make sense of all that I am.

To someday be everything I’m still trying to be

 

Even though, completely here.

 

Lost cannons were found by the beach,

shipwrecks left behind as a injured soldier.

The shells sheltered me

from the waves of your coming and goings

 

But of course, not only

Mine, as well.

 

The whats, desguised by the whens

clouded the whys and changed the wheres.

 

Meanwhile, my and your comings

and then goings again.

The sounding of your moanings,

of cryings, of yawnings,

left footprints behind on a sand that

the next coming erased.

 

But there was something I told you,

and I never forget

We never live the places we’ve been to.

My shelter-shell and I have been there

Somehow, after thousands of coming and goings,

I still end up there.

 

H.J.H

The Raven

Have you ever seen

a raven crossing the night sky?

No, you haven’t. That’s because

they only become one thing.

 

I mean. They are, aren’t they?

Even during the day,

a raven is a piece of the

night flying by

 

Your eyes in the dark room

are like the nightsky,

the eyes, are the dark.

this dark you carry around

darkens souls,

lives and lovers.

 

H.J.H

And you’ve never seen dragons.

But I’ve lived with them

One and only, one and a crowd

Nothing stands out loud.

 

Rumors tell life with them

will be over soon.

Destroy my heart,

and let the mind play its part.

 

Heart and soul united in one,

Dragons fly by arund the dome.

 

No desire seems to come,

Only small leaves, falling in the glass

desapear in the air

of my

chest.

H.J.H

Todos os dias compridos

se escondem em sorrisos,

ruídos, moinhos,

todos perdidos em devaneios

 

Devaneios tão vãos quanto a realidade que cerca,

é a oportunidade cega que nos chega

a cada dia de continuar o caminho.

 

Sonhos esticados no varal

secam sem tocar no sal

olhos abertos contra o mal

futuros novos a cada dedal

 

Esconda teu coração no infinito,

universo paralelo, sempre mais bonito

buraco negro, olho de hórus,

minha vida, a volta de oroborus

 

Desenhe seus medos, não deixe-os

devorar-te, todos os dias,

uma nova arte.

 

 

H.J.H

 

 

 

 

Amazona(s)

Pegue suas amazonas e cavalgue rio acima,

Que teu sol já partiu faz tempo e

o tempo, minha filha, ruge.

 

Teus reis e rainhas já partiram,

esconderam-se de tua raiva e insensatez.

Com eles, levaram seus tesouros mais preciosos

liberdade, consciência e unidade.

 

Agora vá-te, encontra por vós mesma

os tesouros que viestes buscar.

Lute com tuas mãos pelo amor e paz

que tanto almejas.

 

Mas vá-te, que teu tempo já passou.

Amazonas agora corram, não olhem para trás

Que o céu, já põe o sol,

E o sol já vai

 

H.J.H